domingo, 16 de maio de 2010

A IGREJA DE TESSALÔNICA

O apóstolo Paulo queria entrar no continente asiático em sua segunda viagem missionária, mas Deus o direcionou para a Europa. Ele pretendia ir para o Oriente, mas Deus o conduziu para o Ocidente. Foi da Europa, que no devido tempo, o evangelho se espalhou para os grandes continentes: África, Ásia, América do Norte, América Latina.

Todavia, por onde Paulo passou na Europa enfrentou grande perseguição. Açoitado em Filipos, expulso de Tessalônica, enxotado de Beréia, chamado de tagarela em Atenas e de impostor em Corinto.

A igreja em Tessalônica nasceu quando Paulo por três sábados pregou na sinagoga e, esse tempo foi suficiente para produzir uma verdadeira revolução na cidade. Corações foram atingidos, vidas foram transformadas, os gentios se converteram e abandonaram os ídolos e tornando-se modelos para os demais.

É interessante ver o método da pregação de Paulo em Tessalônica e percebermos porque esta igreja tornou-se um modelo de igreja. A pregação de Paulo é identificada por 4 verbos:

a) Ele arrazoou (At 17.2). Paulo dialogou com eles por meio de perguntas e respostas. Prezados leitores, devemos sempre estar prontos para aqueles que perguntam à respeito de nossa fé (1 Pe 3.15). A palavra grega usada aqui deu o termo dialética, que nada mais é do que ensinar por meio de perguntas e respostas. Infelizmente vivemos numa geração analfabeta de Bíblia. Há cristãos que ainda não sabem diferenciar o A.T do N.T. Eles não amam a Palavra. Não se deleitam nela. Não estudam. Não tem a disposição em seus corações para o aprendizado. São facilmente enganados por seitas, heresias e novos modismos.

b) Ele expôs (At. 17.3), ou seja, ele explicou para eles o conteúdo do evangelho. Pregar é explicar as Escrituras e aplicá-las. O pregador não cria a mensagem, ele transmite. A mensagem emana das Escrituras. A Palavra de Deus e não a do pregador tem a garantia de que não volta para Ele vazia. Para explicar a Palavra é preciso ser fiel na interpretação. Infelizmente vemos em nossos púlpitos verdadeiras eisegeses (impor ao texto nossas idéias). São pastores, pregadores, que não se preparam para pregar. Vivem de uma revelação da Palavra. Dão uma sopa rala ao povo de Deus. Pregam do vazio de suas cabeças e da frieza de seus corações. Usam o texto, sem o contexto para enganar e ludibriar os incautos. Há como precisamos de cristãos bereanos (At 17.11)!

c) Ele demonstrou que Jesus é, de fato, o Messias. O termo “demonstrar”, é paratithemi, significa “colocar lado a lado ao apresentar evidências” (At 17.3). Isso se referia à exposição de Paulo que consistia em colocar o cumprimento ao lado de suas profecias.

d) Ele anunciou a morte e a ressurreição de Jesus Cristo (At 17.3). Paulo respirava a Cristo. Ele se esforçava em anunciar a Jesus. Em outras palavras, ele contou a história de Jesus de Nazaré: seu nascimento, sua vida, seu ministério, sua morte, sua ressurreição, sua exaltação e a dádiva do Espírito Santo, sua volta gloriosa e o anuncio do julgamento final. Prezados, toda pregação que não é cristocêntrica é inválida! Toda pregação que por mais bela e profunda que seja, que não fale da cruz e de Jesus é glória humana, glória vazia! Não há evangelho onde a cruz de Cristo é banida. Não há remissão de pecados sem expor a morte expiatória de Jesus na cruz. Ou seja, não há pregação verdadeira que não fale de Cristo. Somente a Cristo. Nada mais que Cristo.

Perceba que há uma “evolução” na pregação de Paulo quando lemos o livro dos Atos. Lucas quer deixar isso claro, quando diz que Paulo começou – afirmando que Jesus era o Messias. Depois Lucas diz que Paulo explicava as Escrituras (expondo). Em outra passagem diz que Paulo agora demonstrava que Jesus é o Messias. Por último diz que Paulo não mais afirmava, expunha e demonstrava, mas persuadia aos homens sobre este Jesus que era o Messias.

Em qual nível está nossa pregação: afirmação, demonstração, explicação ou persuasão?

Vamos olhar para a igreja de Tessalônica e ver as razões pelas quais esta igreja tornou-se um modelo (exemplo) para nós.

Em primeiro lugar, a igreja imitou o modelo certo (1 Ts. 1.6)

A igreja de Tessalônica imitou os missionários e Jesus Cristo (1 Co 11.1). A palavra imitadores é “mimetai” – (de onde vem a palavra mímica) descreve alguém que imita outra pessoa, particularmente para seguir seu exemplo ou ensino. Nessa igreja não havia apenas informação, mas sobretudo, transformação. Hoje temos vários congressos, várias conferências dos mais variados temas, para as mais diversas igrejas, contudo há muita informação e quase nenhuma transformação!

Em segundo lugar, a igreja recebeu a mensagem certa (1 Ts 1.6b)

A igreja de Tessalônica recebeu a Palavra mesmo sob um forte clima de hostilidade e perseguição. Hoje temos o privilégio no Brasil de recebermos a Palavra em clima de total liberdade. E como recebemos esta Palavra? Na verdade o que vemos é uma igreja sendo mal alimentada. Há inúmeras igrejas doentes pois estão recebendo não a Palavra de Deus, mais sim as doutrinas dos homens. Muitos púlpitos já abandonaram a pregação bíblica e fiel, e se renderam ao pragmatismo, ao lucro, ao dinheiro, as heresias. Urge a necessidade de restaurarmos em nossas igrejas a pregação bíblica, que transforma os homens e os conduzem à vida eterna. Qual mensagem você tem recebido? Você recebe a Palavra como “trigo” ou como “palha” (Jr 23.28).

Em terceiro lugar, a igreja teve a reação certa (1 Ts 1.6c).

A igreja de Tessalônica recebeu a Palavra, em meio a muita tribulação, mas com a alegria do Espírito Santo. Esta igreja não ficou decepcionada com Deus por causa das tribulações. Ela não perdeu a alegria devido às perseguições. Há que diferença de nossos dias! Quando os cristãos vão à igreja a procura de uma benção: um novo carro, um aumente de salário, uma nova casa. São crentes mimados, consumidores e não verdadeiros adoradores! Estes não se deleitam na Palavra, não amam a Deus, mais sim suas vontades e desejos desenfreados. Quando chega a tribulação são os primeiros a abandonarem e voltarem para o mundo. Não possuem firmeza. Não possuem raízes. São leves como uma pena, e secos como um poste.

Em quarto lugar, a igreja tornou-se um exemplo a ser seguido (1 Ts 1.7).

Os imitadores tornam-se exemplos. Se você não é um imitador (Cristo) você nunca será um exemplo. Perceba que esta igreja não apenas seguiu o exemplo de Cristo e dos apóstolos, mas também, tornou-se exemplo para os demais irmãos.

A palavra utilizada por Paulo para “modelo”, é typos, que significa marca visível, copia, imagem, padrão e exemplo. O que Paulo quer dizer com isso é que os cristãos tessalonicenses eram a “impressão” de Cristo. Eles aprenderam, mas depois começaram a ensinar. Que exemplo magnífico. Note que os irmãos tessalonicenses eram tanto receptores (1 Ts. 1.5) quanto transmissores do evangelho (1 Ts 1.8). Hoje temos muitos receptores, mas poucos transmissores do evangelho. Amamos ouvir, todavia na hora de falarmos não temos autoridade, pois falamos uma “coisa” e vivemos outra.

Quem é você: um receptor apenas? Ou você também é um transmissor? Sua transmissão é clara, nítida? Ou chia, destoa?

Quero concluir dizendo que na igreja dos tessalonicenses havia as três virtudes teologais: a fé, a esperança e o amor. Quanto ao passado estava firmada na verdade, pois tinha colocado sua fé em Deus e agora estava trabalhando para Ele. Quanto ao presente estava envolvida no amor a Deus e ao próximo. Quanto ao futuro estava sendo alimentada pela esperança da segunda vinda de Cristo.

Minha oração: Deus Eterno, que imitemos o exemplo da igreja dos tessalonicenses, a fim de que sejamos exemplo para este mundo, para que o mundo veja a tua glória em nossas vidas. Ajuda-nos a sermos imitadores do que é verdadeiro, puro e santo. Capacita-nos a sermos não somente receptores, mas transmissores da tua Palavra. Que tenhamos uma fé não fingida, um amor puro, e uma viva esperança. Amém!

Fonte:Pr Marcelo de Oliveira

Um comentário: