sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Crítico dos cristãos, Jean Wyllys decide renunciar ao mandato e ir embora do Brasil

Trajetória do deputado inclui intolerância contra o cristianismo e ataques a pastores.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DA FOLHA DE S. PAULO

Jean Wyllys em defesa do Queermuseu, que expôs painéis com ilustrações que defendiam a homossexualidade infantil. (Foto: Reprodução/Facebook)

O deputado federal, eleito pelo PSOL, Jean Wyllys acaba de comunicar, em entrevista à Folha de S. Paulo, que está renunciando ao seu mandato, que deveria ser assumido em fevereiro, e que deixará o Brasil. Como justificativa, o ex-BBB diz que está com medo do governo de Jair Bolsonaro e que teme pela sua vida.

Integrante da esquerda radical, Jean Wyllys sempre bateu de frente com Bolsonaro e suas posições políticas de direita. Na Câmara Federal trocaram acusações e brigas que chegaram aos tribunais.

Wyllys chegou a cuspir no rosto de Bolsonaro após seu pronunciamento sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

“Jean tentou cuspir no meu pai porque ele estava falando ‘tchau, querida, tchau, querida’. Eles é que têm o discurso do ódio”, explicou o deputado Eduardo Bolsonaro.

Durante a campanha eleitoral, Jean Wyllys disse que se Bolsonaro fosse eleito presidente do Brasil, ele iria embora do país. “É óbvio que eu vou sair [do Brasil]”, disse ele. No entanto, após as eleições disse em entrevista que ficaria. “Podem morrer de raiva, mas vão ter que me aturar! Eu não vou embora não, amados. Eu sou daqui”, escreveu em seu Facebook.

Adversário dos cristãos

Representante do movimento LGBT, Jean Wyllys comprou diversas brigas, não só políticas e com seus pares na Câmara Federal, mas também com os cristãos.

Ele chegou a relacionar o atentado contra uma boate gay ocorrido em Orlando (EUA) em 2016, como motivados por “delírios homofóbicos” dos cristãos. Na verdade, o próprio autor do crime era gay.

“Delírios homofóbicos reproduzidos por políticos e líderes religiosos mentirosos – como a ideia de que gays, lésbicas, bissexuais e transexuais queremos impor uma ‘ideologia de gênero’ ou praticamos ‘cristofobia’ – podem levar a barbárie como a perpetrada, em atacado, na Flórida, mas também à praticada no varejo aqui no Brasil”, disse ele na época.

Wyllys deu diversas declarações de intolerância aos cristãos. Em uma delas fez crítica a orações feitas pelos deputados evangélicos na Câmara: “A bancada de fundamentalistas e fascistas acabou de rezar o Pai nosso no plenário da Câmara. O absurdo perdeu a modéstia aqui”, escreveu no Facebook.

Jean Wyllys também acreditava que um negro não poderia ser cristão. Ele disse que “jovens negros evangélicos têm que ser disputados por religiões afro”, da qual é seguidor.

Também deputado federal, o pastor Ezequiel Teixeira foi ao Conselho de Ética da Câmara realizar pedir a cassação do mandato de Jean Wyllys por ter cuspido em Bolsonaro. “Lamento a atitude desrespeitosa do Jean Wyllys. Logo ele, que cobra respeito, foi intolerante com um colega ao dar um golpe baixo”, disse o pastor que lidera a igreja Projeto Nova Vida.

O deputado propôs diversos projetos de lei polêmicos, entre eles para a legalização do aborto no Brasil e sobre cirurgia para mudança de sexo em crianças custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Discurso de homofobia

Nos discursos de Jean Wyllys a palavra “homofobia” era constante. Ele acusou Bolsonaro de homofóbico quando o atual presidente do Brasil ainda era deputado federal.

Segundo o jornalista Reinaldo Azevedo, o Conselho de Ética da Câmara rejeitou representação contra o deputado Jair Bolsonaro declarando que processá-lo, como queria Jean Wyllys, seria ferir os artigos 5º e 53 da Constituição.

A pecha de homofóbico também foi dada por Wyllys a outros personagens, como o deputado federal Pastor Marco Feliciano, com quem teve grandes embates, principalmente quando Feliciano estava à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM). Na época, Bolsonaro apoiou a candidatura de Feliciano.

Jean Wyllys chegou a acusar os evangélicos de conspiração alegando que havia planos conspiratórios para que mais um “conservador” ocupasse a presidência da CDHM.

Outro desafeto de Wyllys, com quem polemizou a exaustão foi o Pastor Silas Malafaia. Eles brigaram em público, pelo Twitter. Wyllys chegou a dizer que os fieis da igreja de Malafaia tinham “fé cega”.

O suplente que assume o lugar de Wyllys na Câmara é David Miranda. Carioca de 33 anos se descreve no Twitter como “Preto, Favelado e Primeiro vereador LGBT do RJ”. Ele é casado com jornalista americano Glen Greewald.

Miranda já mandou recado para Bolsonaro em seu Twitter. “Respeite o Jean, Jair, e segura sua empolgação. Sai um LGBT mas entra outro, e que vem do Jacarezinho. Outro que em 2 anos aprovou mais projetos que você em 28. Nos vemos em Brasília”.

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